Caro profissional de CAPS, de ambulatório de saúde mental e supervisor clínico-instituciona l:
Enfrentamos sérias dificuldades no cotidiano de nossa unidade, e percebemos que isto também ocorre na maior parte dos equipamentos da rede. Temos CAPS com equipes reduzidíssimas, atuando em territórios muito maiores do que o que a portaria MS 336 previa, profissionais com vínculo instável, imensa dificuldade em contratar médicos com o vínculo oferecido pela prefeitura, salários atrasados, ausência de contrato de trabalho com supervisores há 11 meses, constante falta de medicamentos, de material para oficinas, de suporte para deslocamento no território, etc. Quando olhamos para a rede, ainda nos deparamos com ambulatórios absolutamente insuficientes para a demanda.. Quando a internação é inevitável, encontramos grandes restrições de leitos em equipamentos comprometidos com uma intervenção curta, humanizada e resolutiva, enquanto muitos leitos realmente manicomiais ainda permanecem ativos.
Lidamos com estes problemas e os temos discutido pelo viés da clínica – o que não deve jamais deixar de acontecer. Entretanto, entendemos que questões estruturais incidem de forma avassaladora sobre nossos esforços. Tememos que desta forma a própria sustentabilidade política e clínica da Reforma Psiquiátrica possa ser abalada. Para evitar isto é preciso que os trabalhadores de saúde mental, a ponta do cuidado, tomem lugar e posição.
Visando discutir os aspectos políticos destas questões estamos convocando os trabalhadores de saúde mental do município do Rio de Janeiro para uma reunião a ser realizada no dia 17 de outubro, sábado, no Centro do Teatro do Oprimido (Av. Mem de Sá, 31, Lapa – ao lado dos arcos da Lapa), às 15h.
Nossa proposta é abordar o assunto do ponto de vista do trabalhador, avaliando democraticamente o contexto atual e levantando propostas para futuros encaminhamentos. Estamos convidando também representantes da Gestão (Coordenação de Saúde Mental e as Coordenações de áreas programáticas) , para que possam nos ouvir e dialogar conosco desde o princípio do movimento.
Para isso, pedimos que cada serviço presente faça um levantamento dos problemas vivenciados e sugestões de enfrentamento a serem discutidas. Também pedimos aos CAPS que convidem os ambulatórios de suas Áreas Programáticas, pois não teremos tempo hábil para comunicar, sozinhos, toda a rede.
Pretendemos que este seja um encontro inicial, com vistas a organizar encontros maiores subseqüentes, com a participação de outros atores institucionais implicados como o Projeto da Reforma Psiquiátrica.
Contamos com a sua presença,
Equipe do CAPS Arthur Bispo do Rosário.
Sabe quando a vida parece que não anda, que nada acontece... e depois de muito, mas muito tempo você resolve parar de reclamar e simplesmente fazer coisas que normalmente não faria... No início, parece que não surte muito efeito, sei lá, parece que é apenas mais um dito de livro de auto-ajuda. Aí você se cansa e realmente manda tudo as favas! Até que realmente sai em busca da leveza e de novas experiências, e percebe que as outras tentativas de fazer diferente estavam atadas ao lastro "da exigência de que algo acontecesse". Essa leveza é realmente devastadora, no sentido que você se descobre fluida de novo... leve de novo... viva, enfim! Parece simples... e realmente o é... Contudo entendo que estamos em tempos onde a simplicidade não se atinge facilmente, definitivamente não é fácil ser simples... A simplicidade desse momento foi apenas seguir uma frase que muito me magoou em uma discussão... "vai viver a sua vida"... e dessa vez resolvi de fato acolher tal ordem! ...
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