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Devaneios que se esvaem em forma de letras...



                                                        "(...) o corpo se constitui na imanência dos encontros, variando                                                                   de acordo com as relações em jogo em cada situação"                                                                                                                                             (Azevedo, 2011, p. 02)

Esse fim de semana fui acometida por uns desassossegos de pensamento... a partir de notícias de uma tristeza que bateu em meus ouvidos, assumi um devir "vaca". Este, costumo afirmar para amigos, é o sistema de amadurecer as ideias que me constitui. Tal qual os sistema gástrico dos ruminantes, e sim, simpatizo demais com as vacas, assumo ter quatro "estômagos" por onde os afetos e pensamentos vão ganhando sentido. E nesse processo a escrita sempre auxilia... deve fazer parte desses quatro estômagos... Esse texto começa a ser escrito após uma leitura sobre os afetos em Spinoza, e é sobre encontros que produzem afetos alegres e tristes... 

"O olhar spinosano se dirige primeiramente ao que se passa em um encontro particular para dali perceber um indivíduo sendo contornado"(Azevedo, 2011, p. 02). Esta frase insiste em retornar num vir a ser, num devir "lanterna" diante do atoleiro das tristezas que foram compartilhadas comigo. E vamos tentar seguir esse caminho iluminado pelo sentido que a presente frase  ganhou, nesse encontro que tive com ela...

É possível que uma mesma situação promova encontros alegres e tristes em pessoas diferentes, isso todos nós sabemos. Mas o sabemos em um registro da revanche, do entendimento do outro enclausurado em um "caixão-identidade" inimigo. E é nesse caminho que seguimos, acriticamente, comemorando os afetos tristes de outros modos de existência. 

Longe de mim propor uma "forma" correta de se afetar, muito pelo contrário, o convite desse texto é justamente para pensarmos na legitimidade de toda sorte de afetos que compõem as possibilidades dos encontros, compondo, assim, uma possibilidade infinita de modos de sentir e modos de pensar. Na radicalidade, a proposta do presente texto, é pensar de que modo essa diferença - que compõe a substância spinosana - tem circulado no cotidiano e quais os efeitos dessa circulação. Já que o "corpo e a mente como modos desta substância única infinita são, respectivamente, modos de sentir e modos de pensar que caracterizam a singularidade dos modos de existir" (Azevedo, 2011, p. 02).

E estou buscando em leituras spinosanas caminhos para pensar no modo que nos afetamos quando nos é direcionada a responsabilidade referentes a encontros tristes, ou quando somos notificados da existência deles; ou melhor dizendo, quando nós não nos reconhecemos enquanto unicidade substancial. Somos possibilidades infinitas de afetação!




Sobre Spinosa...






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