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Desatando os nós de ontem


Ontem não teve aula porque não teve corpo estudantil,
Ontem não teve aula...
Ontem não teve aula porque não teve corpo que encontrasse potência para o deslocamento na Baixada Fluminense.
Ontem não teve aula porque professor apanhou em São Paulo...
Ontem não teve aula porque os professores do Estado estão sem receber seus salários, alguns já morando na rua...

E na cidade do amor também não teve...
Ontem não teve aula porque os  corpos dos estudantes foram individualizados pelo medo 
Ontem não teve aula porque não existiu aluno que acreditasse na possibilidade de deslocamento  entre as cidades da Baixada Fluminense...
Ontem não teve aluno...

Ontem não teve aula porque uma estratégia de governamentabilidade funcionou...
Ontem não teve aula porque o medo venceu!

Ontem não teve aula porque o Estado se ocupa em produzir desemprego, retirada de direitos e desumanização dos corpos pobres...
Ontem não teve aula porque a educação está sendo atrelada a um mercado de trabalho inexistente...
Ontem não teve aula porque o Estado entende que a população é separada em castas e se ocupa em impedir que algumas castas mais baixas se ocupem no processo de construção de um pensamento crítico... 
Ontem não teve aula porque já que não é mais necessária mão de obra, o corpo fabril para a produção de produtos...
 Ontem não teve aula porque a necessidade é termos consumidores...

Ontem não teve aula porque "bandido bom é bandido morto"...

Ontem, no lugar da aula a tristeza e impotência encapsulada em uma existência individual acoada...
Ontem, no lugar do encontro, do circular das diferenças  no esforço coletivo do debate, teve corpo-prisão-medo, teve cela invisível, teve camisa de força...
Ontem, no lugar da construção coletiva, imperou o medo individualizante!

E ai de quem nadasse na contramaré!

Ontem, ao invés da ampliação do debate, teve assassinato...
Quem não se dobrou ao medo, virou instrumento de sua produção.... sendo individualizado da maneira mais vil e covarde... pela execução sumária!

9 mm pode ser uma pequena distância para percorremos, 
mas também pode ser uma medida fatal...
Enfim, nada é em absoluto e os sentidos dos números mudam nas existências de quem se incorporam...
9 também é um número de fim de ciclo e este do medo precisa acabar...

MARIELLE, PRESENTE!!!!  

Vídeo de Ana Cesaro, Voz da Comunidade!

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